Fernão Capelo Gaivota 1 -Terceira Parte -Richard Bach


 Fernão voou em círculo, devagar, sobre os Penhascos Longínquos, observando. Este duro jovem Francisco Gaivota aproximava-se muito de um perfeito aluno de vôo. Era forte, leve e rápido no ar, mas muito mais importante do que isso era o ritmo vertiginoso com que aprendia a voar. Ali vinha ele agora, turva forma cinzenta troando à saída de um mergulho, a duzentos quilômetros por hora, passando como um relâmpago à frente do seu instrutor. Abruptamente, lançou-se noutra tentativa, um "slow roll" vertical de dezesseis pontos, fazendo a contagem bem alto. — ... oito... nove... dez... olha-Fernão-estou-saindo-da-velocidade-do-ar... onze... eu-quero-boas-paradas-bruscas-como-as-suas... doze... mas-maldição-não-consigo... treze... fazer-estes-últimos-três-pontos... sem... cator... aaahh! A atrapalhação de Francisco no topo foi como uma chicotada, foi o pior que lhe podia ter acontecido, e enfureceu-se por ter falhado. Caiu para trás, aos trambolhões, desabou selvaticamente num "inverted spin" e acabou por se recuperar, ofegante, trinta metros abaixo do nível do seu instrutor. — Você perde o seu tempo comigo, Fernão! Sou tapado demais! Sou estúpido demais! Tento e volto a tentar, mas nunca conseguirei! Fernão Gaivota olhou para ele e concordou. — Você nunca o conseguirá, é certo, se continuar a fazer o arranque com essa brusquidão. Francisco, você perdeu sessenta quilômetros na entrada! TEM de ser suave! Firme mas suave, compreende? Desceu ao nível da gaivota mais nova. — Agora vamos tentar juntos, em formação. E preste atenção ao arranque. É uma entrada suave, fácil.

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mirna