Fernão Capelo Gaivota 4 -Terceira Parte -Richard Bach


Aconteceu precisamente uma semana depois. Francisco estava demonstrando os elementos do vôo a alta velocidade a uma classe de novos alunos. Acabava de sair de um mergulho de dois mil metros, um longo rasto cinzento desviando-se do mergulho a alguns centímetros da areia e voltando, quando uma gaivota que voava pela primeira vez entrou diretamente no seu caminho, chamando pela mãe. Dispondo apenas de um décimo de segundo para se desviar do novato, Francisco Coutinho Gaivota atirou-se violentamente para a esquerda, a qualquer coisa parecida com trezentos quilômetros por hora, contra um rochedo de sólido granito. Para ele foi como se a rocha fosse uma porta dura e gigantesca para um outro mundo. Sentiu-se invadido por uma onda de medo, de choque e de escuridão quando se chocou. Depois, flutuou num céu estrelado, estranhíssimo, esquecendo, lembrando, esquecendo; com medo, dor e tristeza, uma imensa tristeza. A voz chegou-lhe como no primeiro dia em que encontrara Fernão Capelo Gaivota. — O truque, Chico, é que devemos tentar ultrapassar as nossas limitações progressiva e pacientemente. Voar através de rochas já faz parte de um programa mais avançado. — Fernão! — Também conhecido por filho da Grande Gaivota — comentou o seu instrutor zombeteiramente. — O que você faz aqui? A rocha! Eu não... não... morri? — Oh! Vamos, Chico, pense. Se você está falando comigo neste momento é porque, como é óbvio, não morreu, não acha? O que você conseguiu fazer foi modificar seu nível de consciência de modo um pouco brusco. Agora você tem a liberdade de escolher: ou ficar aqui e aprender neste nível, que, a propósito, é bem mais evoluído do que o que você deixou, ou regressar e continuar trabalhando com o bando. Os mais velhos estavam ansiosos por que se desse um desastre qualquer, mas estão fora de si pela maneira como você conseguiu satisfaze-los. — Quero voltar para o bando, é claro. Mal comecei a treinar o novo grupo! — Muito bem, Francisco. Você se lembra do que dissemos acerca de o nosso corpo não ser mais do que o próprio pensamento...?

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Beijos de luz
mirna