O reiki segundo o espiritismo 2

                                                                  O reiki segundo o espiritismo - Adilson Marques

Reconduzindo o Espiritismo ao seu devido lugar, o da Ciência, necessitamos retomar o papel dos Espíritos e o objetivo do Espiritismo, segundo Kardec: 


Os Espíritos não estão encarregados de nos trazerem a ciência pronta. Seria, com efeito, muito cômodo se nos bastasse perguntar para sermos esclarecidos, poupando-nos assim o trabalho de pesquisa. (...) Os espíritos não vêm nos livrar dessa necessidade: eles são o que são e o Espiritismo tem por objeto estudá-los, a fim de saber, por analogia, o que seremos um dia e não de nos fazer conhecer o que nos deve estar oculto, ou nos revelar as coisas antes do tempo (OE, p. 68, grifo meu). 

Kardec deixa claro que o objetivo do Espiritismo é fazer ciência, estudando os Espíritos e que tal ciência não se encontra pronta. É nesse sentido que temos que entender a expressão codificação. Codificar também é um ato ativo, que exige trabalho, criatividade e criticidade. Quantas pessoas não afirmam que Kardec não teve papel ativo, não criando nada, apenas “codificando” os ensinamentos dos espíritos, o que dá ao termo codificação um sentido quase “metafísico” e “sobrenatural”. Kardec foi importante e ativo, inclusive manifestando criativamente seu preconceito eurocêntrico, fato que foi, inclusive, respeitado pela espiritualidade, como veremos adiante. 

E como todo campo científico, o Espiritismo também deve se aprimorar, mudar de paradigmas, de heurísticas etc. E, no âmbito científico, a única conclusão cabal que se pode tirar do Espiritismo é que há influência do mundo invisível sobre o mundo visível. E que já se pode definir algumas das relações que existem entre eles. Porém, afirmar que o Espiritismo já revelou tudo sobre o mundo espírita e que mais nada há para se estudar, é muita preguiça mental. Da mesma forma que afirmar que o correto é contatar a espiritualidade somente através de médiuns sentados em volta de uma mesa, e que o médium “incorporado” nunca pode se locomover pelo ambiente de trabalho mediúnico. Tais afirmações são de ordem metodológica, e não valores doutrinários. 

Como já nos referimos, as pesquisas de Kardec trouxeram conseqüências importantes, sobretudo para o âmbito filosófico e moral. Ou seja: “A prova patente da existência da alma, da sua individualidade depois da morte, da sua imortalidade e do seu futuro”.(OE, p. 70) Isto é o mais importante. Todo é resto se constitui em métodos e heurísticas que constituem as diferentes modalidades de Psiconomias (Assim, o kardecismo, a umbanda, a apometria e a própria transcomunicação instrumental desenvolvem seus próprios métodos e heurísticas, de acordo com o objetivo que cada modalidade mediúnica necessita. Todas elas são sistemas singulares para o intercâmbio mediúnico, não sendo possível afirmar, categoricamente, qual é o melhor e qual o pior. Qual envolve apenas espíritos “superiores” e qual está nas mãos de espíritos “inferiores”.), em outras palavras, processos de racionalização e de metodologias para o intercâmbio mediúnico. 

Assim, se os kardecistas só trabalham sentados em volta de uma mesa, não quer dizer que outras linhas espíritas não possam se organizar de outra forma para recepcionar e trabalhar com os irmãos desencarnados. Se os kardecistas necessitam de mesas, outros agrupamentos necessitam de macas, colchonetes, elementos da natureza etc. 

O importante é que há todo um vasto mundo aberto para ser conhecido com o advento da ciência espírita. E é por isso que Kardec, preferindo seguir seu estudo pelo campo da cientificidade, reforçou, freqüentemente, que “há duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das manifestações e a doutrina filosófica” (OE, p. 78). É importante ressaltar que ele fala sempre em doutrina filosófica e não em doutrina religiosa. Além de não falar em religião em nenhum momento, Kardec afirma que foi a Igreja Católica que transformou o Espiritismo em religião: 


Pela natureza e veemência de seus ataques, ela alargou a discussão e a conduziu para um terreno novo. O Espiritismo não era senão uma simples doutrina filosófica e foi ela mesma que o engrandeceu apresentando-o como um inimigo terrível; enfim, foi ela que o proclamou como uma nova religião. Foi uma imperícia, mas a paixão não raciocina (OE, p. 86). 

Porém, se foi a Igreja Católica que tentou transformar o Espiritismo em religião, fato que o kardecismo assumiu de braços abertos, está na hora de reconduzir a discussão para a esfera proposta por Kardec para que a “imperícia” não se torne ainda mais grave e o Espiritismo morra de inanição. Está explicito na obra de Kardec que o Espiritismo não é religião. Assim, todos aqueles que pretendem ser coerentes com o pensamento kardequiano   devem reconduzir o debate sobre o Espiritismo ao seu devido lugar: o domínio da Ciência e o da Filosofia. “Não-doutrinário” é querer transformar o Espiritismo em religião. O que o kardecismo tem proposto nestes anos todos é o que está manchando a “pureza doutrinária” do Espiritismo. 

Em outras palavras, já passou da hora de retomar o pensamento kardequiano para que a ciência espírita, ou seja, o Espiritismo, seja aprimorado. Se alguém quiser falar que o kardecismo é a “religião do futuro ou o futuro da religião”, como se lê, rotineiramente, em livros, em revista e na internet que fale, mas nunca diga que o Espiritismo é a religião do futuro, pois religião ele nunca foi e nem o será. Respeitar a memória e a obra de Kardec é de fundamental importância.

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mirna