Ciência, Filosofia e Teoria da Relatividade

                          A Mecanica Quântica e o pensamento de Amit Goswani - Paulo Nuno T P Martins

A Ciência e a Filosofia dos Gregos até às Teorias da Relatividade
 
Todas as culturas estão ligadas a tradições, de maneira consciente e sobretudo inconsciente. 

Na Grécia começou a estabelecer-se uma oposição entre este conjunto (a “doxa”) e o conjunto dos enunciados obtidos por um processo de averiguação (a “episteme”, a “ciência”). Esta oposição foi-se evidenciando ao longo do tempo, tendo sido radicalizada pelo pensamento moderno: para ele, o inconsciente e o mito não têm valor. 

O século XX teve, em todo o caso, de repensar as relações entre, por um lado, o inconsciente e o mito, e por outro lado, a filosofia e a ciência. É que toda a criação autêntica, (seja obra de arte ou teoria científica), enraíza no inconsciente e no mito. De fato, a psicologia moderna, que nasce com a obra de Fechner e Wundt, serve-se (nas palavras de Fechner), por um lado, da introspecção como método para determinar os “fenomenos internos” ou “fatos da consciência”, e por outro lado, da observação fisiológica que lhe permite determinar as correlações entre esses fenomenos e os fenomenos físicos. 

O lado fisiológico é abordado particularmente, pelos movimentosda psicologia denominados por Cognitivo e Behaviourista (da palavra inglesa “behaviourism”, comportamento). 

No Cognitivismo, defendido, por exemplo, por Ulric Neisser, a valorização é dada ao papel dos processos de conhecimento (vulgarmente designado, de modo menos exato, por processos mentais), e à influência destes na vida emocional e no comportamento humano. 

No Comportamentalismo vê-se o ser humano em termos de respostas aprendidas (a minha família, a minha cultura, o meu país, ...), identificando-se este com um conjunto de conceitos psicossocialmente condicionados e aprendidos nos quais opera, sendo o papel do psicólogo Behaviourista modificar estas respostas através da aplicação de determinadas técnicas, de modo a ser benéfico para um determinado ser. 

Exemplos destas técnicas Behaviouristas, utilizadas por Ivan Pavlov, J.B.Watson e Robert Sharpe, são a “desensibilização” (através de relaxamento), “reforço positivo” (como um elogio, sorriso) e “reforço negativo” (através da remoção duma situação desagradável). 

Por outro lado, no início dos anos 60, alguns teóricos de renome, como Carl Rogers, Maslow e Assagioli, consideraram que a psicologia estava a desvalorizar o ser humano nas suas possibilidades. Na verdade, este não era mais do que um organismo condicionado e determinado pela sua própria biologia e meio ambiental, estudando-o de modo excessivamente analítico, sem valorizar outras áreas. Assim nasceu o movimento Humanista da psicologia, o qual veio a ser determinante para o aparecimento da psicologia Transpessoal. 

A psicologia Humanista procura investigar não só o que a pessoa é num determinado momento, mas também revelar o potencial humano, a criatividade, a auto-transcendência, e as possibilidades de liberdade humana, independentemente dos condicionamentos da sua própria personalidade/Ego. Este inclui o lado “persona”que é a “máscara” (termo introduzido pelos Estóicos, que significa “o que está voltado para o mundo”), e o lado inconsciente (designado por lado “sombra”). Por exemplo, Abraham Maslow delineou uma série de seis estágios no processo de desenvolvimento psicológico da mente humana, a qual começa por necessidades básicas de satisfação do Ego, como sejam o dinheiro, a fama e o poder, até ao último estágio de desejo de conhecimento de si próprio, num nível mais profundo e interior, correspondente ao seu “Eu Superior/Alma”. 

Dentro das várias técnicas, utilizadas pela psicologia Humanista para o autoconhecimento, temos a “Bissociação”, onde contextos diferentes se unem harmoniosamente, resultando num “insight” duma determinada situação, sendo por isso um elemento chave para o ato da Criatividade. 

Maslow fala-nos, a este propósito, das experiências de pico (as chamadas vivências de “Consciência Cósmica”) experimentadas, por exemplo, por místicos, nas experiências “Satori”, do Budismo Zen, e Taoísmo, em que a diferença temporal entre o “Ego/Eu pessoal ” (Amit Goswami designa por “Self Clássico”, pois está relacionado com os processos de percepção secundária ou autopercepção, do tipo eu sou isto...) é aumentada em relação ao “Eu Transpessoal” (Amit Goswami designa por “Self Quântico”, pois está relacionado com os processos de percepção primária que envolvem o reconhecimento, entre dois ou mais “arquétipos” que estão no “Campo da Consciência”). 

Por exemplo, conta-se que Arquimedes, quando descobriu o Princípio da Flutuação, saiu do banho nu gritando, “Eureka, Eureka”, o que era o resultado duma experiência criativa entre o “Self Clássico” e o “Self Quântico”. A este propósito, refira-se que a psicologia do Tibete menciona sete faixas de consciência da identidade do Self, (incluindo o “Self Clássico” e o “Self Quântico”), e que tem origem na ideia Indiana de 3 tipos de pulsões ou 3 “gunas”, referidas no “Bhagavad Gita”: 

“Tamas” que é o impulso do condicionamento do passado, a inércia, a educação e o condicionamento ambiental;

“Rajas” que são os instintos inconscientes, a libido ou a natureza (“Tamas” e “Rajas” estão relacionadas com o “Self Clássico”); 

“Sattwa” que é o equilíbrio e a Criatividade, sendo um modo de cognição relacionado com o “Self Quântico”. 

Assim, o “Campo da consciência/mente” está intimamente ligado à harmonia entre os pensamentos e as emoções negativas e positivas, sendo estes justamente o meio para aceder a um nível mais profundo da mente, permitindo assim a verdadeira Criatividade. Distingue-se entre Criatividade interna e externa, sendo a Criatividade externa, (designada por “Coletivização”), destinada à sociedade em geral, enquanto que a Criatividade interna, (designada por “Individuação”), é dirigida para a transformação pessoal do indivíduo. É o relacionamento entre estes dois processos de “Individuação” e “Coletivização” que pode dar origem à maior Criatividade possível. Devemos acrescentar que a cultura da Índia estabelece 4 períodos de desenvolvimento da Criatividade: 

“Brahmacharya”, (que significa “celibato”), que inclui a infância e o jovem adulto;

“Garhastha”, (que significa “viver como chefe de família”), onde há a identidade com o “Ego/eu pessoal”, (“Self Clássico”), exteriorizando-o em atividades locais dicotomicas, (prazer/dor, sucesso/fracasso), desfrutando-se os “frutos agridoces” do mundo sensível, e onde se é, igualmente, influenciado pelo inconsciente colectivo e pessoal; 

”Banaprashtha”, (que significa “morador na floresta”), que é um período voltado para dentro, de auto-exploração e Individuação, no cultivo do despertar de “buddhi”, e que poderá levar a experiências Transpessoais, designadas por “experiências de pico”, onde há a percepção do “Self-Quântico”. Esta inclui diversas etapas, onde os temas do inconsciente coletivo se manifestam, frequentemente, através de sonhos, e da compreensão dos mitos, e que podem levar a uma maior “liberdade” do “Ego/eu pessoal”; 

Finalmente, temos a etapa “Sanyas”, (literalmente “renúncia”), que culmina na transcendência de todas as dualidades do “Ego/eu pessoal”, designada por “Moksha” no Hinduísmo, “Nirvana” no Budismo. Esta última etapa é particularmente abordada pela psicologia Transpessoal, e é vivida como um “Samadhi” (ao que se sabe poucas pessoas na Terra chegaram a esta etapa espiritual). Aqui há uma renúncia do “Ego/eu pessoal” em prol da Consciência Cósmica, a qual é denominada por “Atman”, pela psicologia Oriental, por Não-Self, pelo  Budismo, por Alma, pelo Cristianismo, e por Self-Transpessoal, pela psicologia Transpessoal.

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mirna