Terapêutica Magnética - MANUAL TÉCNICO 43

                                                          Magnetismo Curativo - Alphone Bouvier

Da magnetização dos animais e das plantas

206. Vimos (194 e 203) que a nossa influência irradiante se exerce sobre os nossos semelhantes e sobre nós mesmos, mas não se detém aí a nossa ação magnética; ela se estende igualmente aos animais e às plantas. (16) 

Haurindo nossas correntes a sua origem na grande corrente universal que imprime a todos os seres organizados os seus princípios vivificantes, a unidade vital da natureza fazendo com que tudo palpite sob a influência duma mesma vibração, não é para admirar que os espíritos vitais dos animais e das plantas recebam um impulso das nossas correntes e que as propriedades desses corpos possam aumentar-se ou restabelecer-se sob a influência da nossa ação magnética. (14 e 16) Se devemos ser reconhecidos à natureza por ela nos ter outorgado o precioso dom de curar os nossos semelhantes, devemos igualmente agradecer-lhe por nos haver permitido estender os nossos benefícios aos animais domésticos, esses humildes servos que nos ajudam em nossos trabalhos diários e cuja afeição dedicada enche muitas vezes o vácuo dos nossos afetos e solidão do nosso lar. 

Não será também para nós uma grande satisfação poder conservar em todo o seu verdor e viço de beleza essas joviais companheiras das nossas alegrias e tristezas, essas plantas delicadas cujas folhagens e flores constituem o ornato dos nossos jardins e dos nossos salões, e que, em virtude de uma nova moda, ocupam presentemente um lugar tão elevado em nossa vida desde o berço até ao túmulo? Quando mesmo em nosso coração não encontrássemos ao lado do amor da humanidade um lugar modesto para os animais e as plantas, o interesse de nossa bolsa nos exigiria poupar e prolongar a existência dos seres que nos são ao mesmo tempo agradáveis e úteis, e cuja substituição não deixa de ser para nós uma despesa onerosa. “Aliviar um ser que sofre, qualquer que ele seja, diz Deleuze, é sempre um bem, mas curar os animais é, além do benefício que se lhes faz, prestar também, muitas vezes, um grande serviço aos homens.” 

Aubin Gauthier cita numerosos casos em que alcançou resultados surpreendentes. Uma cachorra ainda nova acabara de parir, e tendo uma inflamação na cabeça, por causa da lactação que não se havia estabelecido, sofria horrivelmente, apresentando os olhos inchados e quase fechados. Logo no dia seguinte, depois de três sessões, os olhos abriram-se perfeitamente e as dores se haviam acalmado; no fim de três dias, o animal achava-se restabelecido. Uma outra cachorrinha, que também acabara de parir, tinha a cabeça mais avolumada que o corpo, gania continuamente e não mais dormia: no prazo de três ou quatro dias, uma evacuação extraordinária se manifestou, cessaram as dores, voltou o sono, e o animal recuperou toda a sua alegria. Os cavalos e as vacas não são menos acessíveis ao magnetismo que os cães. 

Aubin Gauthier refere que, numa circunstância crítica, obteve sobre certa vaca um verdadeiro êxito. Ela havia comido trevo molhado; sabe-se quais as consequências graves que trazem esse fato: a vaca inchava prodigiosamente e não havia ali quem, em tal emergência, pudesse socorrê-la. Ele julgou dever magnetizá-la, e no fim de vinte minutos o animal expeliu gazes, depois descargas flatulentas, que trouxeram como resultado o restabelecimento de sua saúde. Os gatos, muito amantes de carícias, prestam-se muito especialmente à magnetização, voltam-se e retorcem-se sobre si mesmos, colocam-se de modo a receberem melhor a nossa ação, que apreciam imensamente. 

Eis um exemplo interessante, relatado pelo Sr. Miale: Ao entrar um dia em sua casa, ele vê um ajuntamento no pátio: era um gato que caíra do quarto andar, e que jazia inanimado na calçada; tentava-se chamá-lo à vida imergindo-o em água. O Sr. Miale mandou conduzi-lo ao seu aposento, friccioná-lo bem com esponja molhada, enxugá-lo, depois do que o estendeu sobre um tapete e o magnetizou; pouco a pouco, o gato volta a si, estende as patas, volta a cabeça, muda de posição, abre os olhos, fecha-os depois, parecendo aguardar mui tranquilamente o resultado da operação. O Sr. Miale duplica os esforços: o gato mexe-se, e parece encorajar o seu salvador com os miados repetidos, em testemunho da satisfação que experimenta; e finalmente equilibra-se nas patas e corre, aproveitando-se da porta aberta, que lhe restitui a liberdade.

207. Os animais doentes possuem um olfato particular para discernirem o que lhes pode fazer bem, e, dando tréguas aos seus hábitos e às suas propensões, prestam-se facilmente a tudo que se exige deles para receberem os cuidados que se lhes dispensa. 

Tive ocasião de verificar esse fato muitas vezes. Conheci uma cachorrinha de raça escocesa, de nome Fly, tão detestavelmente brava, que ninguém podia aproximar-se dela sem correr o risco de receber uma dentada; atordoava com os seus latidos quando alguém chegava ou partia, e acompanhava-o até a porta com as mesmas demonstrações; ninguém podia fazer-lhe uma carícia, principalmente quando ela estava no colo da sua patroa. Este animalzinho veio a cair doente, e como, apesar dos seus defeitos, fosse tratada com muito mimo, a sua indisposição despertou muitos cuidados. Tentei magnetizá-la, a fim de acalmar as preocupações da sua dona, que tinha por ela as ternuras de uma mãe; mas, conhecendo a índole do animal, dispus-me a isso com o maior receio. Foi grande a minha admiração quando, em lugar da recepção que esperava, notei que Fly deixava-se tocar, virar e revirar, como eu julgava conveniente, e desde esse momento dignou-se fazer-me um acolhimento alegre, como se guardasse reconhecimento pelo serviço que eu lhe havia prestado. 

Tive ainda ocasião de tratar de uma cadela felpuda que, em consequência da enfermidade dos cachorrinhos, ficara paralítica na parte posterior do tronco. O veterinário, tendo sido consultado, disse que o mal era incurável, com grande desgosto da sua jovem dona, filha de um dos meus bons amigos. Compadeci-me de seu grande desespero, e empreendi essa cura que, com grande contentamento geral, foi coroada de pleno resultado: no fim de algumas semanas, a cadela estava tão viva e petulante, como a mais esperta das de sua espécie. O que houve de particularmente tocante neste fato foi a maneira pela qual o pobre animal acolhia os meus cuidados: não somente fazia-me festa todas as vezes que me via, mas prestava-se com uma boa vontade cômica a tomar todas as posições que eu julgava dever dar-lhe, como se compreendesse que eu lhe trazia a saúde. Quando começou a caminhar, por si mesma, vinha exigir a sua sessão, procurando não esquecer o momento em que, como de costume, se a tratava. Confesso que, por meu lado eu tomava tal interesse no tratamento, que teria tido um verdadeiro remorso de faltar para com ela ao meu compromisso tácito. Efetivamente, experimenta-se uma verdadeira satisfação em magnetizar os animais, porque com eles tem-se imediatamente a prova da ação benéfica do magnetismo; a plena confiança que mostram esses seres instintivos, anima e induz a levar-lhes auxílio e socorro; não se sofre da parte deles esses movimentos de dúvida, hesitação e incredulidade encontrados nos homens que, mui frequentemente, pagam os vossos cuidados com a mais negra ingratidão. “Curei muitos enfermos – diz Aubin Gauthier –; alguns renegaram-me, outros evitaram-me; a gratidão para eles é um fardo; os animais, pelo contrário, são todos reconhecidos!” “Os irracionais – já Sêneca o havia dito – são mais sensíveis aos benefícios que os homens!” 

208. Apesar das inúmeras curas obtidas sobre os animais pela ação magnética, certas pessoas, atribuindo essas curas a simples coincidências, poderiam ainda levantar dúvidas acerca da eficácia dessa ação, se numerosas experiências não tivessem desde muito tempo demonstrado que ela é um fato real e puramente físico. 

Em 1843, na sala Valentino, perante mais de 1500 pessoas, o célebre magnetizador La Fontaine deu uma prova evidente e que não podia dar lugar a nenhuma suspeita de fraude. Adormeceu um cão, caçador de lebre, fazendo-o entrar no estado cataléptico. Desde os primeiros passes, houve da parte do público incrédulo e inclinado à malevolência, uma verdadeira explosão de debiques e vaias. Chamava-se o animal, procurava-se desviar-lhe a atenção e impedir que o efeito se produzisse; mas, quando se viu a cabeça do cão inclinar de lado e o animal cair rígido como se estivesse morto, a atenção pública tornou-se profunda e o silêncio restabeleceu-se na sala. Diversas pessoas foram chamadas para comprovarem o fenômeno: aproximaram-se do cão, enterrou-se-lhes alfinetes nas carnes, disparou-se um tiro de pistola ao seu ouvido e o cão não se mexeu; era um cadáver, e quando, alguns momentos depois, o magnetizador arrancou-o desse estado letárgico, houve uma verdadeira ovação: a ação magnética sobre os animais manifestava-se a todos, como um fato bem real. 

Já no ano 1840, em Tours, e num estabelecimento zoológi-co fora da cidade, La Fontaine havia feito, num leão, uma experiência interessante diante dum público numeroso: detendo-se junto da jaula, fixou o olhar sobre o animal e obrigou-o a fechar os olhos. Quando, depois de vinte minutos de passes à distância, ele julgou o sono bastante profundo, abalançou-se com mil precauções a tocar a pata que se achava junto das grades, depois picou-a, e vendo que havia insensibilidade, levantou-a, tocou em seguida a cabeça do animal, e finalmente introduziu sua mão na garganta, com grande pasmo das pessoas presentes. Satisfeito com o que produzira, La Fontaine julgou dever despertar o leão, e fez-lhe passes de dispersão. O leão abriu os olhos, levantou-se, sacudiu a juba e recuperou os seus hábitos, passeando ao longo da jaula.

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mirna