Terapêutica Magnética - MANUAL TÉCNICO 45

                                                           Magnetismo Curativo - Alphone Bouvier

Da magnetização dos corpos inertes e dos acessórios que se podem empregar para as magnetizações indiretas

211. A ação magnética não se estende somente aos animais e às plantas; os próprios corpos inertes podem ser influenciados. Apesar da realidade desse fato, que a experiência demonstra, uma asserção dessa ordem pode, à primeira vista, parecer contestável, por isso que, se nos dispomos a admitir muito facilmente uma troca de radiações entre os corpos dotados de vida, não vemos absolutamente, a priori, que relações possam existir entre a natureza morta e a natureza viva. Isto procede da idéia que se faz acerca da inércia introduzida na física para explicar o estado negativo e a imobilidade aparente da matéria, velando o conhecimento do movimento universal que mantém o mundo inteiro sob a ação de uma mudança lenta, imperceptível aos nossos sentidos, porém constante. 

Foram necessários trabalhos modernos sobre o polimorfismo e as cristalizações, para pôr-se em evidência essa verdade. Os corpos se nos apresentam então unidos entre si, não pela atração, como se havia suposto, mas por uma espécie de coesão recíproca devida a um equilíbrio coletivo. 

Assim mantidos em suas relações mútuas e constantes, esses corpos estão imersos numa espécie de oceano de movimento serial onde, sob as aparências simuladas de atrações e de repulsões, nascem, sob a influência de dispersões e condensações sucessivas, correntes que, longe de se deterem nas superfícies que banham, as envolvem e penetram. 

A matéria, perdendo, desde então, as propriedades negativas que a inércia lhe empresta, exerce um papel eminentemente ativo: ao movimento ambiente que a cerca e comprime, ela opõe resistências proporcionais aos seus graus de condensação; não é mais uma entidade passiva, simples joguete das forças exteriores coligadas, mas sim uma força virtualmente ativa em antagonismo constante com as outras forças. Sob a influência das correntes que nascem desse antagonismo, tudo se anima na natureza, a separação estabelecida entre o mundo dos corpos vivos e o dos corpos sem vida cai por si mesma, e a unidade se faz na vivificação universal da matéria hierarquizada e na união das forças coligadas para um mesmo fim. Desaparece a inércia, para dar lugar a uma série infinita de todos os matizes de condensação, e não é mais sob o ponto de vista de sua materialização que cumpre considerar os corpos, mas sob o da faculdade que eles possuem de condensar o movimento em proporções variáveis. 

212. Não existem, propriamente falando, corpos inertes na natureza; todos os corpos são, antes de tudo, condensadores de movimento, e é sob esse aspecto que eles são influenciáveis pelas nossas radiações. 

213. Os corpos magnetizados auxiliam admiravelmente num tratamento os efeitos da magnetização direta: são excelentes intermediários. Magnetizam-se corpos de qualquer natureza, a fim de empregá-los como acessórios: a água, os tecidos, a madeira, os metais, a cera, o vidro são igualmente bons condensadores das correntes. 

214. As magnetizações não mudam em coisa alguma a natureza intrínseca dos corpos; aumentam somente as suas propriedades irradiantes. Ativando a energia das correntes que os atravessam (14), estendem-se as propriedades dos corpos, assim como restabelece-se neles as que um acidente lhes tivesse feito perder. 

215. Os corpos submetidos à nossa ação magnética restituem, pelo contato, uma parte da energia transmitida; porque a magnetização, dobrando a sua faculdade condensadora ou a sua corren-te centrípeta, põe em ação outro tanto de sua faculdade dispersiva ou da sua corrente centrífuga. 

É essa perpétua tendência ao equilíbrio entre as funções de condensação e as de dispersão que permitiu considerar indistintamente todos os corpos da natureza como reservatórios da força magnética. (12) Como nenhuma modificação aparente se manifesta nos corpos quando se os magnetiza, seria difícil verificar o aumento das propriedades destes corpos produzido pela magnetização, se não houvesse um meio de exame. Esse meio foi fornecido pelos sensitivos; os pacientes sensíveis sabem muito bem, no estado magnético, distinguir um objeto magnetizado de outro que o não é. 

Eis aqui vários exemplos: Eu tinha um sonâmbulo de extrema sensibilidade; bastava-me magnetizar um objeto qualquer, uma cadeira, um livro, um papel, e deixar esse objeto misturado com outros da mesma espécie; nunca o meu sonâmbulo deixou de encontrar o objeto magnetizado no meio daqueles que não o estavam. Se, estando acordado, o acaso levava-o a tocar um objeto que eu houvesse magnetizado fora de sua presença o simples contato desse objeto punha-o instantaneamente no estado magnético. Muitas vezes repeti essa experiência, e sempre com bom resultado. Antes da chegada do sonâmbulo, eu magnetizava um objeto qualquer visível sobre a mesa ou sobre a lareira, uma caixa de fósforos, por exemplo; toda vez que, por inadvertência, o sonâmbulo tocava no objeto magnetizado ele girava sobre si mesmo e caia instantaneamente em sono magnético, e o efeito era fulminante! 

No estado sonambúlico, os sensitivos vêem sempre a água magnetizada fosforescente. Um dia colocaram uma garrafa d'água magnetizada sobre a mesa, ao lado de uma pessoa que eu tinha por costume pôr em estado magnético. Era uma pessoa muito fácil de ser influenciada: a simples vizinhança dessa garrafa magnetizada bastou para adormecê-la, e quando tirei-a desse estado, foi necessário remover a garrafa de cima da mesa para que se não reproduzisse a mesma cena. Alguns dias antes, o simples contato de um anel de ouro magnetizado, que eu havia passado para o dedo dessa pessoa sem preveni-la do efeito que podia produzir-se, instantaneamente mergulhara-a no sono magnético. 

Esses efeitos inopinados, produzidos por um objeto magnetizado sobre sonâmbulos não prevenidos, dão a prova mais palpável da ação inteiramente física do magnetismo.

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mirna