Terapêutica Magnética - MANUAL TÉCNICO 50

                                                        Magnetismo Curativo - Alphone Bouvier

Da sensibilidade magnética

231. A magnetização produz efeitos puramente físicos; o doente cuja mão seguramos na posição da relação por contato (49) experimenta geralmente os efeitos seguintes; umidade na palma das mãos, titilações nos dedos, formigamentos; a sensação encaminha-se às vezes aos braços, aos ombros até a cabeça, ou vai atacar o epigástrio, e há então irradiação por todo o corpo, que determina leves calafrios, bocejos, aos quais sucede a dormência dos membros e do cérebro. 

Em uns, o pulso diminui, o rosto empalidece, as pálpebras oscilam e fecham-se, os queixos e os membros se contraem, há sensação de frio; em outros, o pulso se acelera, sobem ao rosto fugachos que o avermelham, o olhar aviva-se, há transpiração, acessos de riso ou pranto. Quando esses efeitos parecem querer acentuar-se, podemos, se se tem em vista obter-se o sono magnético, prolongar a ação que os determina; mas se não quisermos o sono (o que deve ser o caso mais habitual, por isso que ele não é necessário ao tratamento), apressemo-nos em romper a relação, abandonando as mãos do sonâmbulo e fazendo-lhe alguns passes à distância. (100 a 104) 

232. Todos os sonâmbulos não são suscetíveis de sentir ao mesmo tempo e no mesmo grau os efeitos magnéticos: há tantas gradações nas sensações como há diferenças entre os organismos; não somente a sensibilidade varia conforme os sonâmbulos, mas é mais ou menos desenvolvida na mesma pessoa em razão das disposições de momento. Há doentes sobre os quais se atua em dois ou três minutos; em outros é necessário muitos dias e em alguns muitos meses. (Koreff, Deleuze) Tal pessoa, insensível enquanto goza saúde, experimenta efeitos evidentes em casos de moléstia. (Aph. 210, Mesmer) Tal outra, que em uma moléstia grave não experimentava nenhum efeito aparente, torna-se muito sensível em uma leve indisposição. (Deleuze) 

Há doentes nos quais os efeitos vão sempre aumentando; outros que sentem desde o primeiro dia tudo quanto experimentaram no decurso de um longo tratamento; outros, finalmente, que, depois de manifestarem sintomas notáveis, cessam de manifestar de repente a menor impressão. (Mes-mer, Deleuze, Aubin Gauthier) 

233. Acontece freqüentemente que o magnetismo restabelece a harmonia das funções de que acabamos de falar, isto é: tendência à transpiração, sensação de frio ou de calor, espasmos, movimentos musculares, contrações, dormência, displicência, formigamentos, bocejos, etc.; e só o percebemos ao efeito produzido pela melhora da saúde.

O magnetismo nem sempre se manifesta, pois, por efeitos que anunciam a sua ação; e procederia mal quem desanimasse muito depressa, ou declarasse que o magnetismo é impotente só porque ao cabo de oito ou quinze dias, algumas vezes dois meses ou mais, não tivesse produzido nenhum efeito aparente. (Deleuze, Koreff, Aubin Gauthier) 

234. As pessoas que parecem mais rapidamente sensíveis à ação magnética são as que levam uma vida simples e frugal, que não são agitadas pelas paixões, que não abusaram dos narcóticos e dos minerais, e que não fazem uso imoderado dos perfumes de toucador. Os hábitos da alta sociedade, a vida agitada da política e dos negócios, as preocupações morais, o abuso dos anestésicos e dos narcóticos, os excessos da mesa e das bebidas alcoólicas ou fermentadas, diminuem cada vez mais a receptividade magnética; é por isso que os campônios que vivem com toda a simplicidade e ao ar livre, sem terem habitualmente recorrido às excitações artificiais dos prazeres da cidade e da terapêutica moderna, têm mais probabilidade de sentir com maior facilidade e rapidez que os outros os efeitos da ação magnética, no entanto os alcoólatras e os morfinomaníacos são quase insensíveis.

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mirna