Terapêutica Magnética - MANUAL TÉCNICO 51

                                                                                     Magnetismo Curativo - Alphone Bouvier

235. Nas crianças em quem o movimento natural não é ainda contrariado pelos maus hábitos de uma vida mal regulada, a ação magnética é mais notável, mais pronta e salutar que entre as pessoas adultas; e o mesmo se dá com os animais. As crianças e os animais são geralmente muito sensíveis ao magnetismo e obtém-se sobre eles curas muito rápidas. 

Trouxeram-me um dia uma criança de três ou quatro anos, cujo estado doentio inquietava muito os pais; era o filho do professor de música de meu filho. Estava pálido, triste, já havia muitos dias que não digeria nada, seu olhar era fixo e sem expressão, e uma grande rigidez da coluna vertebral dava-lhe uma contratura dos rins, do pescoço e da cabeça, impedindo-o de equilibrar-se nas pernas e de dar um passo. Tomei a criança em meus joelhos, fiz-lhe imposições e passes, insuflações quentes nas costas e na nuca e, em alguns minutos, um quarto de hora apenas sob esta ação vivificante, a criança pareceu renascer, os olhos recuperaram a sua animação habitual, os músculos distenderam-se, moveu a cabeça, e quando a pus de pé, começou a caminhar pelo quarto para receber um doce que se lhe mostrava à distância. Esses poucos minutos de magnetização bastaram para dominar um estado mórbido inquietador, que já durava há muitos dias e que cessou como por encanto; porque, desde essa noite, o apetite, a alegria, o funcionamento regular do organismo recomeçaram como se a criança nunca tivesse estado doente. 

Este é um exemplo entre mil: mas não há uma enfermidade da infância, febre, diarréia, constipação, vômitos, convulsões, moléstias eruptivas, tosse, coqueluche, que não possa ser imediatamente sustada por uma ou duas magnetizações feitas em tempo oportuno, antes que essas lutas ou esses desvios de crescimento não tenham tido tempo de tomar uma feição séria. 

Combati desse modo a pé firme todos os males aos quais meu filho, como toda criança, teve de pagar seu tributo, e evitei assim toda complicação, travando-os em seu desenvolvimento. 

Deleuze, Aubin Gauthier, o Dr. russo Brosse e o Dr. Bavaro Muck citam grande número de casos desse gênero, cuja relação se encontra nos Annales Magnétiques. Mais recentemente, numa brochura de que se falou muito, o Dr. Liébault, de Nancy, relatou grande cópia de experiências feitas por ele sobre crianças com menos de dois anos, experiências concludentes, que não só dão um exemplo admirável da ação puramente física do magnetismo e de sua grande eficácia nas moléstias da infância, como também provam a prontidão com que esta ação se exerce sobre as crianças de tenra idade. 

236. É preconceito acreditar-se que as pessoas de compleição delicada ou enfraquecidas pelas moléstias crônicas são mais sensíveis que as outras; geralmente, não são os indivíduos edemaciados ou de temperamento nervoso que dão mais depressa indícios de sensibilidade magnética; pelo contrário, são antes as naturezas enérgicas e vivazes que melhor correspondem aos movimentos de reação que se procura produzir pela magnetização. 

Na maior parte dos indivíduos nervosos e nas moléstias que mais especialmente afetam o sistema nervoso, onde a prostração e a anemia alternam com uma grande superexcitabilidade, o magnetismo atua na maioria dos casos, sem produzir efeitos aparentes; e se, às vezes, com o correr do tempo, o magnetismo consegue triunfar dessas perturbações profundas da enervação, acontece freqüentemente que se obtém a produção de fenômenos singulares que não são sempre seguidos dos resultados curativos que dele se espera. 

Em suma, seria erro acreditar-se que as afecções nervosas caem, mais especialmente que as demais moléstias, sob a competência do magnetismo; a idéia falsa que se fez e ainda se faz do papel fisiológico do magnetismo e de seus efeitos curadores contribui grandemente para entreter esse preconceito, que a observação e a experiência deveriam ter há muito tempo desarraigado. 

237. Há igualmente uma opinião segundo a qual a sensibilidade magnética e, consecutivamente, o efeito curador dependem sobretudo de certas analogias de relação entre o magnetizador e o paciente; é evidente que se deve levar em conta influências que resultam dos caracteres, dos temperamentos e dos meios: os climas, as estações, o regime, os hábitos, a idiossincrasia têm efeitos incontestáveis num tratamento, e é muito admissível que certas pessoas sejam mais aptas que outras para produzirem certos efeitos e curarem determinadas moléstias. 

Não é duvidoso que os corpos são mais ou menos condutores das correntes e, por conseguinte, mais ou menos irradiantes; que as trocas magnéticas entre os corpos variam portanto até ao infinito, mas isso é uma questão de menor importância, em que não devemos deter-nos por muito tempo. 

Em tese, todos os doentes são sensíveis à ação magnética, e o são mais ou menos rapidamente; quando não se é bem sucedido, provém isto mais por uma falta de perseverança no tratamento ou da gravidade da desordem produzida no organismo por uma moléstia antiga, do que devido a qualquer outra causa. 

238. A ação magnética pode ser geral ou parcial. Ela envolve portanto todo o organismo ou só se dirige a uma das suas partes; um doente, conservando-se inteiramente em seu estado normal e gozando plenamente de suas faculdades físicas e intelectuais, pode ver de repente um dos seus membros afetado de rigidez muscular, paralisia ou insensibilidade; ele já não tem nenhuma ação sobre esse membro, que, envolvido de algum modo pela corrente magnética, não lhe pertence enquanto esta não lhe foi retirada, e essa obrigação de retirá-la do paciente ou do membro sobre o qual a ação magnética convergiu é incontestavelmente uma das melhores provas do efeito puramente físico dessa ação. (144, 145, e 148)

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mirna